quinta-feira, 6 de abril de 2017

CRÓNICAS DO ZODÍACO – CARNEIRO

Os nativos de Carneiro são, pelo lado positivo, aventureiros, enérgicos, pioneiros e valentes. São rápidos, dinâmicos, seguros de si e costumam demonstrar entusiasmo para as coisas. Pelo lado negativo, eles podem ser egoístas e ter mal gênio. São impulsivos e às vezes têm pouca paciência. Tendem a se arriscar muito. 

Basicamente, o carneiro é o macho da ovelha e serve para as emprenhar. Também se pode aproveitar a lã e as marradas. Por fim vai parar ao prato de quem não é vegetariano. Se calhar há plantas com sabor a carneiro, mas se não houver, também não fazem falta porque não é das coisas mais apreciadas. Também não creio que os vegetarianos procurem equivalentes vegetais aos produtos animais. Talvez procurem em valor nutricional, mas não em sabor. Não tenho nada contra eles, assim como não tenho nada contra ninguém. Cada um é livre de fazer as suas escolhas, desde que não prejudiquem ninguém. Os vegetarianos não me prejudicam, nem mesmo quando olham para mim horrorizados enquanto saboreio um bife suculento. Sim, como primata, sou omnívoro. Estou perfeitamente adaptado ao consumo de produtos de origem animal e vegetal. O Homo Sapiens, tal como todos os mamíferos omnívoros, tem os dentes caninos menos desenvolvidos que os carnívoros e os incisivos e molares mais simples que os herbívoros. Esta característica deu-nos grandes vantagens em termos evolutivos, graças à grande diversidade de alimento que podemos consumir. O que mais há na natureza é animais que matam e comem animais. A isso dá-se o nome de cadeias alimentares e são indispensáveis ao equilíbrio da natureza. Nós, mais evoluídos, começamos a considerar um crime hediondo matar um frango e fazer um churrasco. Já sentar o traseiro ao redor de uma arena onde se tortura um animal, é divertido e fino. Por mim, vou continuar a ser primitivo à mesa e estou-me bem nas tintas para os herbívoros. Quanto a torturar animais nas arenas já adquiri outra consciência. Considero ridículo, absurdo e cruel, mas ainda vai demorar tempo para que toda a gente mude esse ponto, até porque há muito dinheiro em jogo. Quando o dinheiro manda, já não há sentimentos de nenhuma ordem. Já se pode torturar, matar e comer. Temos pena, mas são males necessários que dão lucro. O importante é o lucro e nada mais que o lucro. Não estou a protestar contra nada nem quero mudar o mundo. Continuo a respeitar as características humanas, tanto no tipo de alimentação, como na ambição desmedida. De certa forma, até me dá algum prazer por pertencer às últimas gerações humanas. Sempre posso observar algo muito singular na História da vida na Terra. Só tenho pena não estar cá para ver o grande suspiro de alívio da natureza quando se livrar de nós. 



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